CARACAS — Uma sequência trágica de dois terremotos massivos e consecutivos atingiu o norte da Venezuela no final da tarde de 24 de junho, deixando um rastro de destruição, edifícios desabados e uma crise humanitária em larga escala. Segundo o balanço inicial das autoridades, pelo menos 32 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas.
Em pronunciamento oficial na madrugada de 25 de junho, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, alertou que o número de vítimas fatais deve aumentar significativamente à medida que as equipes de resgate avançam pelos escombros. Ela destacou que os dados preliminares ainda não contabilizam as perdas de La Guaira, estado costeiro que foi o mais severamente afetado pelos tremores.
“Dezenas de prédios desabaram e atualmente estamos realizando esforços de resgate muito intensos para salvar tantas vidas quanto Deus nos permitir”, declarou a presidente interina em transmissão na TV estatal por volta de 1h da manhã (horário local).
O Fenômeno: 39 segundos de terror
De acordo com o Serviço Geológico dos EUA (USGS), a Venezuela foi atingida por uma rara e violenta “sequência de duplos” — quando dois sismos de magnitudes semelhantes ocorrem em um curto intervalo de tempo e espaço.
- O primeiro sismo (M 7.2): Ocorreu às 18h04 (horário local), com epicentro localizado a cerca de 15 milhas a leste-nordeste de San Felipe e a oeste de Morón, a uma profundidade de 12,6 milhas.
- O segundo sismo (M 7.5): Apenas 39 segundos depois, o tremor principal e ainda mais forte sacudiu a região, com epicentro a 14 milhas a sudeste de Yumare.
O USGS alertou que o desastre é generalizado e que fortes réplicas continuam a ameaçar as estruturas já fragilizadas. Cientistas explicam que o evento resultou de falhas rasas de deslizamento na complexa fronteira entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana.
Pânico na capital e estado de emergência
Os tremores coincidiram com um feriado nacional que celebrava a independência do país, o que significava que a maioria das famílias estava em casa. Em Caracas, o pânico tomou conta das ruas. Moradores relataram prédios balançando violentamente e a formação de rachaduras estruturais.
“Assim que começou, ouvimos pessoas gritando. Todo mundo correu pelas escadas”, relatou Astrid Ramirez, de 41 anos. Maria Romero, uma aposentada de 80 anos, comparou a experiência com o histórico sismo do país: “Esse terremoto foi horrível, ainda pior que o de 1967”.
Principais medidas imediatas:
- Estado de Emergência: Declarado pela presidente interina Delcy Rodríguez após o registro de quase duas dezenas de réplicas.
- Aeroporto Fechado: O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, suspendeu todas as operações por tempo indeterminado devido a danos estruturais.
Apesar das ações, Rodríguez enfrentou duras críticas da oposição e da população pela demora de três horas para se dirigir à nação. “Dois terremotos consecutivos causaram danos significativos. Estruturas desmoronadas. Pânico nas ruas. A incerteza se torna mais uma camada de angústia”, manifestou o líder oposicionista Edmundo González.
Alerta de tsunami descartado
Logo após os fortes abalos, o Sistema de Alerta de Tsunami dos EUA emitiu um aviso de ameaça para Porto Rico, Ilhas Virgens e ilhas próximas à costa venezuelana (Aruba, Curaçau e Bonaire). No entanto, após análises subsequentes, o alerta foi totalmente cancelado, confirmando que o perigo de ondas gigantes passou.
Comunidade internacional mobiliza ajuda rápida
A escala do desastre gerou reações imediatas de líderes internacionais, que prometeram apoio logístico e humanitário à Venezuela.
- Estados Unidos: O presidente Donald Trump manifestou solidariedade através da rede social Truth Social. “Instruí todas as agências do nosso governo a se prepararem para agir rapidamente. Estaremos ao lado dos nossos novos e ótimos amigos”, publicou. O Departamento de Estado americano já mobilizou uma força-tarefa de assistência, que enviará equipes de busca e salvamento, além de suprimentos médicos.
- El Salvador: O presidente Nayib Bukele anunciou o envio imediato de suporte. “300 socorristas e paramédicos, junto com 50 toneladas de equipamentos, remédios e suprimentos essenciais, estão prontos para partir para Caracas”, informou.
A embaixada dos EUA em Caracas confirmou que todo o seu pessoal diplomático foi localizado em segurança e recomendou que cidadãos americanos na região evitem áreas danificadas e busquem abrigos seguros.



